Suspeito de golpes na venda de casas não representa a Caixa, diz gerente

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Suspeito se dizia correspondente da Caixa e tinha faixa em escritório (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

O número de pessoas que denunciam que foram vítimas de um golpe ao tentar comprar imóveis em Goiânia chegou a 40. Segundo elas, um homem, identificado como Washington Luís da Silva, pediu um valor de entrada das propriedades e prometeu entregar as casas em um mês, mas recebeu parte dos valores e desapareceu. O suspeito também dizia ser corretor e correspondente da Caixa Econômica Federal, mas o banco nega que ele seja um representante oficial.
De acordo com a Polícia Civil, que investiga o caso, as vítimas afirmam que Washington recebia os interessados em imóveis em um escritório no Setor Morada do Sol e fazia promessas de facilitar a compra de casas. No local, eram expostos cartazes e faixas que ressaltavam que aquele era um estabelecimento correspondente da Caixa Econômica. No entanto, o banco fez um levantamento e constatou que o suspeito não era e nunca teve nenhuma ligação com a entidade.
“A Caixa não tem representantes pessoas físicas, não tem corretores. Ela tem apenas representantes pessoa jurídica. Na dúvida, os interessados devem procurar no site do banco a relação dos correspondentes autorizados e, na dúvida, devem procurar uma agência”, afirmou à TV Anhanguera o gerente regional da Caixa Econômica Federal em Goiás, Valcenir Vicente Rosa.
As vítimas afirmam que, sempre que recebia os valores da entrada pelos imóveis, o homem desaparecia e, quando atendia às ligações, se esquivava e não dava respostas. Um áudio mostra uma conversa que ele teve com um dos clientes (confira no vídeo acima). “A respeito desse assunto aí, vou ficar te devendo, pois ainda não fui lá no escritório hoje. Ontem eu não consegui verificar a data certinha Mas estou a caminho e verifico”, disse Washington.
O delegado Jerônimo Rodrigues Borges, titular da Central de Flagrantes, afirmou ao G1 que as investigações sobre o caso serão conduzidas pelo 21º DP de Goiânia. A reportagem tentou contato com a unidade, neste sábado (4), mas as ligações não foram atendidas até esta publicação. Washington Luís não tinha sido preso até a noite de sexta-feira (3).

Quarenta vítimas dizem que foram lesadas por Washington Luís da Silva (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Quarenta vítimas dizem que foram lesadas por Washington Luís da Silva (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Vítimas
Uma das vítimas é a vendedora Viviane Nunes de Castro, que diz que perdeu todas as economias de mais de uma década no golpe. “Eu venho juntando esse dinheiro a mais ou menos 13 anos. Aí eu dei R$ 6 mil de entrada e ele disse que em três meses eu estaria com as chaves da minha casa”, conta.
Outra vítima, o motorista William Misael dos Santos afirma que não estava pensando em comprar casa agora, mas, diante da oportunidade que apareceu, resolveu ouvir a proposta do homem. Ele conta que escolheu a casa e pagou mais de R$ 20 mil de entrada para o homem que se apresentou como correto. No entanto, ele recebeu o dinheiro e desapareceu.

“Primeiramente, quarta-feira, ele me bloqueou no Whatsapp. Eu fui atrás dele, mas não o encontrava em lugar nenhum. Aí, a gente começou a vasculhar nas redes sociais, e ele excluiu tudo. Tudo que leva a ele, ele excluiu”, afirma o motorista.
Situação parecida enfrentou o marceneiro Jaino Souza Magalhães. Ele afirma que também acreditou que estava comprando uma casa, no Setor Jardim Colorado, em Goiânia, e que chegou a depositar mais de R$ 9 mil na conta do homem, mas não recebeu a casa e não tem notícias do corretor.

“Ele disse que tinha a casa para mostrar pra gente. Mostrou. A gente foi lá, viu a casa, e ele falou ‘agora é a entrada’. Passamos a entrada para ele, e ele pediu um prazo. A gente deu, mas o prazo venceu e ele não entregou a casa. Eu queria a justiça, a prisão dele, e que ele devolvesse nosso dinheiro de volta”, completou Jânio.

Texto e Fotos: G1 Goiás

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